mulheres em terra, homens no mar

de Maria Gil

Foto: Maria Lamas

Os pescadores que andavam à pesca do bacalhau passavam seis meses no mar. Enquanto isso, as mulheres ficavam em casa, a governar. Esta performance teve como ponto de partida a recolha de testemunhos de algumas dessas mulheres e suas famílias, e da pesquisa feita nos acervos documentais do Museu Marítimo de Ílhavo. Um espetáculo intimista e documental, que dá voz às mulheres, contribuindo para a valorizar o papel das mulheres na economia do mar.

No final dos anos quarenta do século XX, António de Oliveira Salazar é Presidente do Conselho de Ministros e governa Portugal, criando uma ditadura antiliberal, anticomunista, orientada segundo os princípios conservadores autoritários: “Deus, Pátria e Família”. É mais ou menos nesta altura, mais precisamente entre 1947 e 1950, que a jornalista Maria Lamas, decide viajar pelo país, para conhecer ao vivo a situação das mulheres em Portugal. Maria Lamas percorre o país desde Trás-os-Montes ao Algarve. Fala com as camponesas de Castro Laboreiro, das serras do Barroso, do Caramulo e do Lindoso, mas também com as assalariadas agrícolas do Ribatejo, do Alentejo e do Algarve. Dedica um capítulo inteiro à mulher do mar, mas quando Maria Lamas diz, “mulher do mar” ela não se refere à esposa do pescador ou do marinheiro. Para Maria Lamas, a mulher do mar, é toda a mulher que participa na economia do mar. Aliás, Maria Lamas diz que estas mulheres só não embarcam porque alguém tem de ficar a tomar conta da casa e dos filhos, e esse papel estava destinado culturalmente às mulheres.

Nota Biográfica
Maria Gil (Lisboa, 1978): Licenciou-se em Teatro – Formação de Actores e Encenadores na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa (2003) e realizou um MPhil em Performances Autobiográficas na Universidade de Glasgow (2009). Na sua formação não-académica destaca a participação no workshop dirigido pela companhia americana Goat Island, integrado na Winter School da National Review of Live Art, Glasgow (2008); e na 2ª Edição do curso de Encenação para Teatro dirigido pelos Third Angel/Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística (2007). Foi uma dos vinte artistas residentes no Sítio das Artes/Programa O Estado do Mundo, da Fundação Calouste Gulbenkian, integrando a área da encenação (2007). Realizou uma residência artística na cidade de Huesca, em Espanha ao abrigo do Map – Programa de Apoio à Mobilidade de Jovens Artistas (2009). Integrou vários projectos para a educação e as artes, entre outros, o projecto 10×10 e Operação Stop, iniciativas do Programa Descobrir da Fundação Calouste Gulbenkian (2012-2017); Oficina da Democracia na Fábricas das Artes/CCB (2013). Dirigiu oficinas de arte e filosofia produzidas pelo Teatro do Silêncio e a Fábrica das Artes do CCB (2013), de onde resultou o livro, “Se não havia nada, como é que surgiu alguma coisa”. Foi directora artística de Raízes da Curiosidade (2014) co-produzidos pela Fábrica das Artes/CCB e a Fundação Champalimaud, de onde resultou o livro Raízes da Curiosidade – Tempo de Ciência e Arte. Trabalhou como actriz com, entre outros,Teatro do Vestido, Teatro O Bando, Teatromosca. Em cinema trabalhou com Gil Ferreira. Encenou espectáculos encomendados por Comédias do Minho (Ante Mim, 2018), 23 Milhas (Casa Aberta, 2017),Teatro Viriato (Vissaium, 2012). Foi professora de teatro durante nove anos, do ensino básico, secundário e superior. Em 2004, fundou o Teatro do Silêncio Associação, tendo co-dirigido e produzido os espectáculos: .mostra (2004); Boarding Pass, The Journey Is The Destination (2005), Na Margem da Vida (2006), Glasgow 4, O Nome de Todas As Ruas (2008),Rádio Pirata (2009), Cartas Telegramas e Postais (2010), Procura Por Mim Neste Diário O Resto Não Vale Nada (2011), Horn Ok Please (2011), Rua Maria Brown (2012), Procuram-se Pés de Bailarina (2013), Medo e Feminismos (2013), Amor e Política (2015), Caminhar (2017), Caminhada Pela Fronteira de Lisboa (2017), Caminhar Para Unir Territórios (2018). Recebeu o Prémio Ex Aequo pela performance, Medo e Feminismos, criada em colaboração com o artista Miguel Bonneville (2015). Participou na exposição The Age of Divinity comissariada por Hugo Barata. Foi uma das vinte e duas artistas que integraram a rede Urban Heat, que junta doze festivais em onze países e que apoiam artistas e companhias na sua relação com áreas e comunidades urbanas (2016-2018). Escreve artigos e textos para revistas e publicações, como por exemplo, para a revista galega de artes cénicas, Núa, num número dedicado às novas dramaturgias portuguesas, tendo publicado o texto, Procura Por Mim Neste Diário O Resto Não Vale Nada (2012). Foi voluntária de escrita criativa no GAC – Grupo de Acção Comunitária, trabalhando com pessoas com doença mental crónica.

FICHA ARTÍSTICA

Criação: Maria Gil
Apoio Dramaturgico: Miguel Bonneville
Registo Fotográfico e Vídeo: Joana Linda
Co-produção: Serviço Educativo do Museu Marítimo de Ílhavo
Produção: Vanda Cerejo, Cristina Correia, Teatro do Silêncio 2018
Apoio: Teatromosca e Casa de Teatro de Sintra/Chão de Oliva
Projeto co-financiado pelo FEDER, através do Centro 2020 – integrado no Projeto “Territórios com História: o Mar, as Pescas e as Comunidades”
Agradecimentos: Ana Margarida Paradela; Cláudia Ricota e Teresa Ricota – Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo; Cristina Castro e Manuel Bacelar – Opticália de Ílhavo; Leolpoldo Oliveira e Noémia Fernandes; Rosilda Portas.

O Teatro do Silêncio é uma estrutura financiada por República Portuguesa – Cultura | Direcção Geral das Artes e pela Junta de Freguesia de Carnide.

DATAS

2018

3-6 de Abril e 16-20 de Julho, residência artística no espaço 23 Milhas, Gafanha da Nazaré

9,10, 11 Agosto, apresentações públicas no Navio-Museu Santo André inserido no Festival do Bacalhau 2018

12 a 28 de Novembro, residência artística no Auditório Municipal António Silva/Teatromosca, Cacém

2019

7 Janeiro – 3 Fevereiro, residência artística na Casa de Teatro de Sintra/Chão de Oliva

17 e 18 de Maio, estreia no Museu Marítimo de Ílhavo no âmbito do Dia Internacional dos Museus

5, 6, 12 e 13 de Julho às 21h30m, apresentações públicas na Casa de Teatro de Sintra/Chão de Oliva

 

Apresentação pública no Museu Marítimo de Peniche, datas a anunciar

Apresentação pública no Museu Marítimo da Murtosa, datas a anunciar

 

2020

Setembro de 2020, apresentação pública no Festival MUSCARIUM#6